A exposição fotográfica “Parkatejê: os Gavião do Pará” faz parte da programação da aula inaugural do curso de Jornalismo e terá sua abertura na próxima quarta-feira (22), na Galeria de Arte das Faculdades INTA. Quem assina a exposição é o professor do curso de Jornalismo, Philipi Emmanuel Lustosa Bandeira, com a curadoria da professora Ms Regina Raick, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).]

 

A Exposição

Registrado durante vinte intensos dias em 2011, na aldeia Parkatejê (Terra Indígena Mãe Maria – município de Bom Jesus do Tocantins/ PA), o ensaio fotográfico com os “Gavião do Pará” parte de uma perspectiva etnográfica direta para ser editado, anos após, sob um viés curatorial estético e documental. O registro de jogos e festas tradicionais se deu por ocasião de uma grande mobilização comunitária em torno da produção de um livro e da gravação de um filme sobre as memórias do cacique “Krokrenum”, o “Capitão” dos Gavião.

Segundo o autor, as fotografias buscam captar afeto e conhecimento das situações. “Nestas fotografias, a proposta é que o instante etnográfico possa atrair percepções para uma tessitura mais densa, abordando as relações de gerações entre os Gavião, buscando o afeto e a transmissão de conhecimentos como filtros condutores sensíveis do espectador  emancipado”, colocou.

 

Gavião do Pará

O registro etnográfico dos jogos e preparativos da Festa do Tepe (peixe) ocorreu possibilitado por uma ocasião singular, em que toda aldeia Parkatejê estava mobilizada e concentrada para a elaboração de um livro e para a gravação de um filme colaborativo pelos jovens da etnia, em 2011, em metodologia participativa conduzida pelo projeto Vídeo nas Aldeias. Do processo foi produzido um filme intitulado “Krohokrenhum”, de Vincent Carelli e Ernesto de Carvalho, e um livro de autoria dos próprios Gavião, intitulado “Me Ikwe Teje Ri – ninguém sabe o duro que dei”, sobre a vida e memórias do capitão dos Gavião, Kohokrenhum.

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Liderança tradicional da etnia Parkatejê, Kohokrenhum conduziu seu povo em meio século de lutas: à partir do primeiro contato com os brancos, em 1957, quando seu grupo então contava com cerca de trinta adultos apenas, vítimas de epidemias e conflitos, até a atualidade, com as recentes batalhas físicas e jurídicas contra as gigantes Vale e Eletronorte, nas duas últimas décadas. Atravessando massacres, tragédias, guerras, servidão, resistência étnica e um incrível crescimento demográfico, os Gavião do Pará – ou Parkatejê, como se chamam – avançam no século XXI com perspectivas de modernizar sua cultura, sem perder a memória e tradições culturais.